O MEDO DOS QUILOMBOS
A formação de grupos de escravos fugitivos se deu em toda
parte do Novo Mundo onde houve escravidão. No Brasil, estes grupos foram
chamados de quilombos ou mocambos. Alguns conseguiram reunir centenas de
pessoas. O mais conhecido e o maior foi o de Palmares.
Depois de Palmares os escravos não conseguiram reproduzir no
Brasil qualquer coisa próxima. Os senhores e governantes coloniais cuidariam
para que o estrago não se repetisse. Foi criado o posto de capitão-do-mato
(também conhecido como capitão-de-entrada-e-assalto e outros termos),
instituição disseminada por toda colônia como milícia especializada na caça de
escravos fugidos e na destruição de quilombos.
Contados a partir de cinco pessoas, o número de quilombos
foi inflacionado nos documentos oficiais. Mas se, em geral, não figuravam como
ameaça efetiva à escravidão, eles passariam a representar uma ameaça simbólica
importante. Os quilombolas povoaram pesadelos de senhores e funcionários
coloniais, além de conseguir fustigar com insistência desconcertante o regime
escravista.
Para senhores e governo, o problema maior estava em que na
sua maioria os quilombos não existiam isolados, perdidos no alto das serras,
distantes da sociedade escravista. Embora em lugares protegidos, os quilombolas
amiúde viviam próximos a engenhos, fazendas, lavras, vilas e cidades. Mantinham
redes de apoio e de interesses que envolviam escravos, negros livres e mesmo
brancos, de quem recebiam informações sobre movimentos de tropas e outros
assuntos estratégicos.
As comunidades quilombolas próximas mantinham relações
estreitas entre si. Elas trocavam informações, mercadorias e conhecimentos. Essas
relações de alto risco atormentavam senhores e governantes coloniais e
imperiais. Os amocambados também assaltavam viajantes nas estradas, às vezes
tornando-as intransitáveis, e atacavam povoados e fazendas, onde roubavam
dinheiro e outros bens, recrutavam ou sequestravam escravos. Mas além de
assaltar, roubar e sequestrar, eles também plantavam, colhiam, caçavam,
constituíam família.
São numerosos os relatos que dão conta da destruição de
roças de milho, frutas, algodão, cana e outros produtos cultivados pelos
quilombolas. Cultivavam, sobretudo, a mandioca, com que faziam farinha eles
próprios.
Questões:
1) O que são Quilombos?
2) Qual a atitude dos Senhores de escravos frente a ameaça na
constituição de novos Quilombos?
3) Qual o grande problemas enfrentado pelos Senhores em
relação aos quilombos?
4) Como era a relação entre as comunidades quilombolas no
Brasil?
5) Quais as atividades agrícolas realizadas pelos
quilombolas?
